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“Catracaço” e ônibus queimado marcam segundo dia de protesto contra o aumento

Ato é marcado por “catracaço”, ou seja, os manifestantes fecham a via e o ônibus só é liberado após o motorista abrir a porta de trás para os passageiros subirem gratuitamente

09/01/2017 - Atualizado em: 10/01/2017, 09:13 Publicado por: Sávia Barreto Repórter: Salomão Prado

As manifestações contra o aumento tiveram continuidade nesta segunda-feira (09/01), com direito a “catracaço” e um ônibus queimado, na avenida Frei Serafim.

A princípio, a ideia era conduzir a segunda manifestação do ‘Contra o Aumento’ de forma pacífica. Assim relatou um dos líderes do movimento. “Escolhemos estrategias diferentes, vamos sempre estar mudando de acordo com a reação das pessoas”, explicou o líder do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), Victor Carvalho.

Ônibus é incendiado durante manifestação do Contra o Aumento, na avenida Frei Serafim (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Ônibus é incendiado durante manifestação do Contra o Aumento, na avenida Frei Serafim (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Porém, no decorrer do ato alguns jovens optaram partir para a depredação e vandalismo, deixando um ônibus queimado nas proximidades do Hospital Getúlio Vargas (HGV).

Jovens durante manifestação Contra o Aumento, no Centro de Teresina. (Foto: Brito Jr. /OitoMeia)

Jovens durante manifestação Contra o Aumento, no Centro de Teresina. (Foto: João Brito Jr. /OitoMeia)

“CATRACAÇO”

A palavra já é bem utilizada em movimentos similares ao ‘Contra o Aumento’. O ‘catracaço’ nada mais é que uma maneira de tentar coibir os donos das empresas de ônibus e o poder público, através do não pagamento da passagem.

Segundo Lygia, uma das integrantes do movimento de universitários secundaristas, os manifestantes  fecham a via e o ônibus só é liberado após o motorista abrir a porta de trás para os passageiros subirem gratuitamente.

“Vamos fazer ‘catracaço’ para os trabalhadores não pagarem a passagem. E durante toda a semana estaremos fazendo manifestações, até eles tomarem outra decisão ou mostrarem interesse”, pontua ao OitoMeia.

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POUCOS MANIFESTANTES

De acordo com a coronel Júlia Beatriz, da Polícia Militar, nesta segunda-feira apenas 40 pessoas fizeram parte do manifesto. “Hoje a quantidade está menor, creio que cerca de 40 pessoas estão aqui”, disse a coronel enfatizando que “se for pacifica, nós só vamos acompanhar. Mas, se houver vandalismo vamos tomar nossas medidas”.

Entre os jovens com seus cartazes erguidos, era possível ver trabalhadores emitindo suas opiniões. Muitas contrárias às atitudes daqueles que protestavam contra aumento da passagem de R$ 2,75 para R$ 3,30.

É o caso do agente penitenciário e educador, Paulo Moura, que entrou em discussão com um dos jovens. “Vocês deviam ir pra frente do Palácio do governo, e não ficar atrapalhando o transito. É lá que vocês deveriam ir”, gritou revoltado.

VEJA FOTOS DE JOÃO BRITO JR. DURANTE O PROTESTO EM TERESINA:

Veja o vídeo da manifestação:

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AÇÕES CONTRA O AUMENTO

Na última sexta-feira (06/01) o advogado e vereador suplente de Teresina, Ismael Silva, protocolou junto ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí um requerimento pedindo a intervenção do órgão na decisão do Conselho Municipal de Transportes e do prefeito Firmino Filho (PSDB), que reajustou o preço da tarifa do transporte público da capital.

“O cidadão não pode suportar o ônus de uma tarifa tão abusiva, já que o Transporte Público de Teresina não oferece o mínimo de conforto, segurança e qualidade”, disse Ismael Silva em post na sua conta de Facebook. O advogado ficou conhecido nacionalmente por homenagear seus pais no dia da sua formatura com uma faixa dizendo “O filho do pedreiro com a catadora de castanhas também VENCEU! #MeusPaisMeusHeróis”.

Assim como Ismael, o promotor de Justiça, Fernando Santo, afirmou que o Ministério Público vai se manifestar contra o aumento da tarifa. O promotor disse que vai pedir esclarecimentos sobre o levantamento feito pelo Conselho de Transporte. Para ele, a prefeitura continua utilizando planilhas de custos que não deveriam mais ser consideradas, segundo publicou o Jornal O Dia nesta segunda-feira (09/01).

“Existe uma nova lei de Mobilidade Urbana. Com essa lei, não tem mais sentido em se utilizar a planilha que a Prefeitura tem como base para determinar o valor da tarifa”, explicou em entrevista ao jornal. O não conhecimento real da receita faz parte de uma série de erros, segundo Fernando Santos, que vem acontecendo desde 2015 e, portanto, não oferece subsídios para a Prefeitura decretar um novo aumento.

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