Economia

Aumento no preço da passagem em Teresina não garante ar-condicionado em todos os ônibus

É o que informa a própria Strans, através do seu diretor administrativo; reportagem teve acesso à planilha que foi apresentada ao prefeito e que confirmou o reajuste

06/01/2017 - Atualizado em: 06/01/2017, 10:40 Publicado por: Juliana Andrade Repórter: Juliana Andrade

A partir desta sexta-feira (06/01) o preço da passagem de ônibus coletivo em Teresina passa de R$ 2,75 para R$ 3,30. Protesto, revolta e manifestações contra o reajuste aprovado pela Superintendência de Trânsito (Strans) e confirmado pelo prefeito Firmino Filho (PSDB) são esperados pela população.

A reportagem do OitoMeia esteve na sede da Strans para saber de fato o porquê do aumento no preço da passagem do transporte coletivo teresinense: os ônibus passam a ter ar-condicionado? Vão melhorar o atendimento ao passageiro? Vai ter mais veículo novo nas frotas que rodam pela cidade?

Quem respondeu a essas e outras perguntas foi o diretor administrativo da Strans, Ricardo Freitas, que é membro do Conselho de Transporte. Ele permitiu o acesso à planilha apresentada à Prefeitura de Teresina e explicou como é realizada com base nos cálculos feitos para se chegar ao reajuste que passa a vigorar.

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Diretor administrativo da Strans e membro do conselho de transporte coletivo, Ricardo Freitas (Foto: Juliana Andrade / OitoMeia)

“Em todas as capitais, após 12 meses de uso dos transportes públicos, é realizada uma planilha de custo para saber a demanda de acordo com a variação de passageiros, isso não é feito só aqui. Os custos aumentaram pois o que usamos para o transporte funcionar (combustível, manutenção, troca de pneus etc) também elevaram seus preços. E a partir daí o ajuste tornou-se inevitável”, explicou.

De acordo com a planilha apresentada por Ricardo Freitas, os maiores gastos realizados com o transporte coletivo são realmente com manutenção e combustível, que giram em torno de 33% e 24% dos custos respectivamente.

COMO É REALIZADO O CÁLCULO QUE GARANTE O AUMENTO
“O cálculo é feito através da análise dos custos que temos, com o ônibus, por quilômetro rodado, e com os passageiros. O custo por quilômetro rodado vem através dos gastos fixos e variáveis que temos com o transporte. Os fixos são as despesas da empresa de transporte (água, luz, salário dos motoristas e cobradores, aquisição de veículos novos etc) e os variáveis são aqueles que o próprio nome já diz, possivelmente podem variar de preço, que é o caso do combustível, das peças”, relata Ricardo Freitas.

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Esboço dos custos fixos e variáveis do ano de 2015 e 2016, em planilha mostrada ao OitoMeia (Foto: Juliana Andrade / OitoMeia)

E QUAIS AS REAIS MELHORIAS NO TRANSPORTE PÚBLICO DE THE?
Questionado pelo OitoMeia sobre a estrutura do transporte coletivo, isto é, sobre o que realmente melhora com o aumento no preço das passagens, Ricardo Freitas afirma que isso acontece de maneira gradual. O tempo de uso dos veículos, por exemplo, segundo ele, é pequeno e a frota dos ônibus de Teresina é considerada ‘nova’.

Sobre a implementação de ar-condicionados em todos os ônibus, ele diz que nunca foi prometido que todos os veículos circulariam com esse acessório, mas que vem sendo estudada uma forma de implementação.

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Trasporte coletivo da capital teresinense (Foto:Juliana Andrade/OitoMeia)

“Os ônibus usados no transporte de passageiros tem cerca de seis anos (no caso, são modelos 2010). Não podemos dizer que eles estão tão antigos assim. Agora sobre os ar-condicionados o que precisamos entender é que nenhum projeto que circulou pela Strans ou pela Prefeitura de Teresina afirma que seria colocado ar-condicionado em todos os ônibus”, ressaltou o diretor administrativo da Strans.

Ricardo Freitas, no entanto, explicou que o projeto de ar-condicionados nos ônibus, que hoje contempla apenas 7% da frota, está sendo concluído, e será apenas nos veículos de linha troncal, ou seja, ônibus que se deslocarão do terminal para o centro da cidade.

“Os ônibus que têm ar-condicionado só estão rodando em linhas aleatórias, pois ainda não foi implantado o sistema de integração por inteiro, mas os ônibus com ar serão os das linhas troncais, pois a distância entre as paradas de ônibus são maiores. Ar-condicionado é um gasto muito alto, e não teria serventia colocá-los nos ônibus que tem paradas com distâncias curtas para subir e descer passageiros, isso não resolveria o calor”.

STRANS JUSTIFICA QUE O AUMENTO OCORREU EM OUTROS ESTADOS
O diretor administrativo fez questão de explicar que na maioria das capitais do Brasil houve um reajuste no preço da passagem de ônibus e que Teresina antes do reajuste era a terceira capital com a tarifa mais baixa do País, mantida por muitos anos.

“Como já havia falado, o reajuste tinha que acontecer, não dava pra custear todos os gastos com a tarifa daquele preço. Diversas capitais já sofreram aumento de passagem esse inicio de ano, pois após doze meses em toda as capitais é feita a planilha de gastos, não é algo feita de forma aleatória, sem cálculos sobre o que gastamos e arrecadamos”, ponderou.

Onze capitais brasileiras sofreram reajustes no preço da passagem  no final de 2016. Veja a lista:
-Belo Horizonte (MG);
-Boa Vista (RR);
-Florianópolis (SC);
-Macapá (AP);
-Manaus (AM);
-Natal (RN);
-Recife (PE);
-Rio de Janeiro (RJ);
-Salvador (BA);
-Teresina (PI);
-Vitória (ES).

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