Allisson Paixão

Setut perdeu a oportunidade de ficar calado ao chamar manifestante de “criminoso”

11/01/2017 - Atualizado em: 11/01/2017, 10:27 Publicado por: Allisson Paixão

Custo a acreditar que a cúpula do sistema de transporte público de Teresina tenha recebido algum tipo de orientação da sua assessoria de marketing para fazer o seu principal nome, o diretor do Setut Marcelino Lopes ir à imprensa chamar manifestante de “criminoso”, “bandido” e “desocupado”.

Diretor do Setut Marcelino Lopes em entrevista ao vivo (Foto: Reprodução da TV)

Diretor do Setut Marcelino Lopes em entrevista ao vivo (Foto: Reprodução da TV)

Só o fato de o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano convocar a imprensa para dar uma entrevista coletiva já surpreendeu. É que é muito raro fazer os empresários donos das principais empresas de ônibus de Teresina falarem. Qualquer jornalista com um pouquinho de experiência por essas bandas pode confirmar isso.

E não se engane, caro leitor. Há dinheiro envolvido nisso. O Setut patrocina muitos de nós, da imprensa (e não está errado). Mas isso não vem ao caso. O fato é que Marcelino poderia ter evitado certas declarações ao aparecer na televisão, ao vivo. É óbvio que é um crime a depredação do patrimônio público. Queimar ônibus deve ter suas consequências para os autores.

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Se o diretor tivesse pelo menos associado a fala em que toca em “criminoso”, “bandido” e “desocupado” a um advogado, ou a um policial… ou se fosse em outra ocasião, talvez passasse. Serviu apenas para inflamar uma parte da estudantada que quer porque quer ir para a rua, quer sentar na frente dos carros, quer parar a Frei Serafim e alguns que querem queimar ônibus de “empresário rico”.

Pois é. É essa a imagem que eles têm. Olha o que diz trecho da nota encaminhada pelos DCEs (Diretório Central dos Estudantes) da UFPI e da UESPI: “Atos de vandalismo e de criminosos estão institucionalizados na relação promíscua entre a Prefeitura de Teresina e o Setut. Prejudica toda a população que sofre com a superlotação, sucateamento da frota e preço abusivo da passagem”.

“Comentaram sobre atear fogo em ônibus?”, você deve estar se perguntando. Claro que não! E nem vão! Querem protestar. E quanto mais combustível, quanto mais forem inflamados por quem deveria tentar colocar panos quentes nessa briga população versus empresários –infelizmente, cada um está de um lado–, mais incêndios teremos. E não necessariamente precisa ser dentro de um ônibus lotado de passageiros…

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