Allisson Paixão

“Incendiar parte dos poucos ônibus que temos, vai resolver a situação?”

10/01/2017 - Atualizado em: 10/01/2017, 09:20 Publicado por: Allisson Paixão

“Os manifestantes de hoje serão os vereadores de Teresina amanhã”.

Ouvi isso de um colega jornalista, fazendo uma clara referência aos que foram eleitos -e empossados- recentemente, Deolindo Moura (PT) e Enzo Samuel (PCdoB).

Esses dois estavam, há cerca de quatro anos, participando de manifestações contra o aumento no preço das passagens de ônibus. Lideravam grupos, se organizavam para irem às ruas.

Enzo, quando foi levado pela Polícia durante protesto em 2012 (Foto: Reprodução YouTube)

Enzo, quando foi levado pela Polícia no protesto em 2012 (Foto: Reprodução YouTube)

Deolindo também foi levado pela Polícia durante o protesto de 2012 (Foto: ReproduçãoYouTube)

Deolindo também foi levado pela Polícia em 2012 (Foto: ReproduçãoYouTube)

Agora, como vereadores, “representantes do povo”, estão sendo cobrados via redes sociais antes mesmo da primeira sessão plenária. Foram obrigados a soltar tímidas notas contra o aumento. Mas disseram que “apoiam” o prefeito Firmino Filho (PSDB) por ter congelado o preço da tarifa para estudantes.

Pois é. Quando se vai para o lado de lá a coisa muda…

Falando particularmente do protesto de 2012, o prefeito era o hoje senador Elmano Ferrer (PTB) e o governador era o hoje sem mandato Wilson Martins (PSB). Teve confronto, quebra-quebra, tiros de balas de borracha, gente presa (até o Enzo, como mostra o vídeo abaixo) e também teve ônibus queimados.

Não que seja normal, mas vinha tudo dentro de uma sequência, de quem protestava e de quem tentava impedir: eles fechavam a avenida, a polícia tentava tirá-los das ruas; eles invadiam ônibus, a polícia atirava spray de pimenta… Quem não tinha nada a ver com o protesto, mesmo que não concordasse com a depredação, já se preparava. Saia das paradas, pedia carona, ligava para alguém ir buscar… dava-se um jeito.

De certa forma, os manifestantes tinham um ‘apoio’ da população. “Aumento abusivo”, “não há motivo para tamanho aumento no preço da passagem”. Eram essas as falas de revolta das pessoas. Bem parecido com as de agora…

No entanto, o que se observa no protesto também intitulado de #ContraOAumento, de janeiro de 2017, é um erro na estratégia dos manifestantes que faz com que a população não aprove o gesto, por exemplo, de queimar ônibus. Vale ressaltar: depredação do patrimônio público é crime em qualquer lugar do Brasil.

Ônibus é incendiado durante manifestação do Contra o Aumento, na avenida Frei Serafim (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Ônibus é incendiado durante manifestação na avenida Frei Serafim (Foto: Reprodução/Whatsapp)

O advogado Ismael Silva postou em sua página no Facebook o que muita gente gostaria de dizer, mas ficou com medo: “Não houve manifestação, houve baderna”. Ele disse que ficou por mais de duas horas esperando um ônibus até chegar em casa. É que, como os manifestantes queimaram um dos poucos ônibus que tinha ar-condicionado, o Setut determinou a retirada de circulação de toda a frota. Consequência: paradas de ônibus lotadas durante a noite e muita gente revoltada. Mas com os manifestantes!

Postagem de Ismael Silva foi compartilhada por muita gente (Foto: Reprodução Facebook)

Postagem de Ismael foi compartilhada por muita gente (Foto: Reprodução Facebook)

“É difícil compreender a mente do ser humano, que tenta conquistar seus direitos, violando o do próximo. Tanto instrumento de manifestação e os irresponsáveis acham que incendiar parte dos poucos ônibus que temos, vai resolver a situação? Sou contra o reajuste da Tarifa do Transporte Público Coletivo de Teresina, mas também sou contra manifestações desordeiras e não pacíficas”, escreveu Ismael, tendo apoio de muitos dos que leram sua opinião.

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