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Flalrreta Alves

2016, o ano do amor

31/12/2016 - Atualizado em: 31/12/2016, 16:40 Publicado por: Flalrreta Alves

 

Título audacioso para um ano marcado por separação de casais cuja união era símbolo de eternidade para os fãs né?

Isso se deve à idealização do que temos sobre amor: um deve ser do outro até o “para sempre” que ninguém procura saber aonde vai dá, exceto que seja para todo o sempre amém.

Com nossa essência ligada ao prazer, consideramos dores e “separações” frustrantes, uma vez que relacionamos amor a uma felicidade plena. Frustração que atravessa o campo pessoal e é levado para o campo ideológico, como a relação (casamento) de indivíduos que nem fazem parte do nosso convívio real (Bonner & Fátima, e Branjelina, por exemplo).

De acordo com Schopenhauer, criamos inconscientemente certos desejos para satisfazer nossos anseios e tornar nossa vida mais alegre. Dessa forma, anestesiamos a “dor” através de um prazer instantâneo que para ele não é amor nem felicidade.

Essa anestesia pode vir pela idealização de um “casamento dos sonhos”, uma família perfeita, amigo para todas as horas, um comercial de perfume…

Ai de maneira nada romântica, chega o “filósofo do pessimismo” e diz que amor é uma necessidade biológica e natural de procriação, disfarçado de subjetividades para o ser humano.

Há quem diga que Schopenhauer considera amor “uma dor” porque nunca encontrou felicidade nos relacionamentos. Aliás, levou incontáveis foras de mulheres pelo mundo.

Considero que Schopenhauer acreditava que o amor era um mal necessário e o erro estaria em esperar demais dele e acreditar que só amamos uma vez na vida.

amor

 

Com o decreto de monogamia para fins de desenvolvimento da propriedade privada, as frustrações de um relacionamento passaram a ser considerada dor, defeito, infelicidade e falta de respeito entre as partes, pois convencionou-se que uma pessoa seria TUDO o que um ser humano precisaria, sendo que esse tudo não incluiria defeitos e rotinas. Essa consideração além de irracional, é injusta, uma vez que deposita num individuo as expectativas de preencher lacunas que o outro não tem.

“Ninguém é feliz tendo amado uma vez” diz Raulzito.

A verdade, é que amor é tão mutável quanto paixão. Ele tem crises e se renova, tal como o capitalismo. A mais linda de todas as considerações, é que ele sempre permanece.

Quando Fátima e Bonner se separaram, muitos lamentaram  “não acreditar no amor”. O casal viveu juntos por mais de 25 anos e construiu uma relação profissional sólida, construíram patrimônio material, imaterial e educaram três filhos que, independente de qualquer coisa, continuarão tendo uma família.

Ouso dizer que o amor também não acabou, afinal, o que é amar?

Regina Navarro cita que, na melhor das hipóteses, “amor é uma convergência de muitos desejos, alguns deles sexual, outros éticos, muitos diretamente práticos, outros poucos românticos e fantásticos”. Tem uma série de considerações a respeito do tema em “O livro do Amor”, quem puder se permitir um presente de ano novo, recomendo a leitura.

Para mim, amor é cumplicidade, lealdade, admiração, incentivo. E fazendo, uso de Navarro, “não queremos só sexo e segurança, mas também felicidade, companhia, diversão, alguém para viajar, sair, ouvir conselhos, ter orgulho desse alguém, enfim, uma associação com quem é uma vantagem social e um aliado”. Isso não significa que é regra amar várias pessoas ao mesmo tempo, mas que a saúde mental do amor deve girar em torno dessas características. Renovar o amor sempre, ainda que seja com a mesma pessoa. ÓTIMO que seja com a mesma pessoa, inclusive!

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Amor é construção e cumplicidade (Imagem: divulgação)

Amor é construção e cumplicidade! Tem horas que cansa, que desiste, mas tem momentos que se renova. Nesse sentido, digo que Bonner e Fátima continuam se amando, pois estarão sempre apoiando e incentivando um ao outro (eu acho né. Não conheço o casal…).

Se é sentimento, desejo, palpável ou imaterial, não é a prioridade no momento. Devemos considerar que o amor não precisa ser idealizado para existir. Você pode amar na saúde e na doença, mesmo que não tenha contratos estabelecidos para isso. Inclusive, pode amar até se um contrato for desfeito.

Nossa “vontade” deve existir para tentar ser uma pessoa melhor, ter mais empatia, aceitar que nem tudo depende só da gente e que amor é muito mais do que aquilo que a indústria cultural nos coloca.

Amar a leitura de um livro, o cheiro de café quentinho, banho de chuva, comida exótica, companhia maravilhosa, sorrisos… não personificar.

Amor vem de dentro, de cada um de nós, e se renova a partir do momento que decidimos continuar a construção daquilo que chamamos amor.

Que em 2017 possamos ser mais amáveis e amados. Um ano intenso e cheio de realizações para todos nós!!

Feliz ano e amores novos!!

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