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Flalrreta Alves

Aos trinta

21/12/2016 - Atualizado em: 22/12/2016, 08:30 Publicado por: Flalrreta Alves

Aniversariar no mês mais festivo do ano é exercer a paciência pela movimentação do rito e conciliar agenda de confraternizações. Como boa adepta do jogo do contente, escolho dançar conforme a música: onde tem #confras, tem parabéns para mim!

Em 2016, a idade é de rombo: 30 !!

flal

#Trintei, E NÃO FOI DE REPENTE!

Aos trinta, a empolgação por uma festa pode ser facilmente suprimida pela adrenalina e responsabilidade do final de período na universidade. Alegria tão gostosa quanto um bolo de chocolate fica por conta da nota 10 no histórico acadêmico.

Aos trinta, você já reconhece que há detalhes tão mais importantes e empolgantes que outros nem tão efusivos assim…

A internet está cheia de listinha sobre “coisas que você precisa saber/fazer aos trinta/antes dos trinta” e parece esquecer-se de finalizar com a mais importante: aos trinta, você já tem paciência para lidar com o fato de não ter se identificado com nenhum dos itens da tal lista.

Você já teve alguma lista de “coisas para fazer antes dos trinta”?

Na minha lista idealizada, eu deveria ter conhecido todos os países da América do Sul e concluído o doutorado. Na minha lista #reallife, conheço todas as capitais do Nordeste e ainda estou cursando o mestrado…

Frustração? Jamais!!

A mulher de trinta já tem um pouquinho de discernimento para separar o joio do trigo nessa sociedade cheia de contradições…

Contradições já apresentadas desde o século retrasado através do famoso livro de Honoré Balzac. Embora evoluídos em acessos e publicações,  “A mulher de trinta” ainda é uma das maiores referências para a “era Balzaquiana”.

Numa época em que a literatura exalta(va) romance idealizado por jovens e adolescentes, colocar uma mulher casada como protagonista para falar de relacionamentos, choca até uma sociedade nem tão doutrinada no conservadorismo/tradicionalismo  como a francesa. Através da personagem Julie, Balzac valorizava a beleza, experiências, pensamentos, desejos, angústias, e o direito de ser feliz daquela que não era tão mais jovem e dependente (emocionalmente).

Se nos dias atuais, mulher tentar mostrar que o rei está nu é motivo para adjetivação dos mais chulos termos, imaginem no século XIX quando não existia lei de apoio nem organização civil que levantasse a discussão por direitos e respeitos da mulher (que hoje chamamos de feminismo).

Quando publiquei aquele primeiro texto nesse espaço, fiquei atenta à recepção dos mais diversos tipos de público.
Como boa balzaquiana, só absorvi o que me acrescenta!!

À propósito, o termo “Balzaquiana” entrou no vocabulário português para muito além da referência à obra de Honoré Balzac. O adjetivo passou a ser utilizado para qualificar pessoas com mais de trinta anos – a maioria do sexo feminino- como sinônimo de maturidade e sapiência.

Tem quem use para qualificar uma pessoa “ousada”, que “não respeita seus limites de idade” (tipo Suzanna Vieira distribuindo vitalidade). Mas é como dizem os linguistas: a língua é viva e mutável, se não houver semântica…

O fato é os anos passaram, os textos aumentaram, várias e várias mulheres trintaram e algumas coisas continuam as mesmas : Trinta anos e ainda não casou? Não teve filhos? Não concluiu um curso superior? Não tem carro nem casa?

Essa lista só aumenta…

Se você já tem mais de trinta anos e não completou a lista ou “teme” chegar a essa idade por medo de pressões, respira e não pira! Lembre-se sempre: nesses tempos pós modernos, o maior luxo que se tem é a saúde mental. E, aos trinta, ela também chega de vento em polpa.

kusses

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