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Flalrreta Alves

A rotina que faz parte de você

08/04/2017 - Atualizado em: 08/04/2017, 17:56 Publicado por: Flalrreta Alves

Desde o assalto envolvendo a menor aprendiz de uma clínica particular em Teresina, tenho refletido a respeito da sociedade que estamos construindo.

A aceleração do crescimento, desenvolvimento tecnológico e acesso rápido a informação, tem nos tornado parte de um sistema que virtualiza suas interações e potencializam a cultura do efêmero.

Dos digitais que influenciam, não são exigidos classificação indicativa, conteúdo educativo e/ou compromisso social. Dos digitais que influenciam, a audiência pede entretimento e o mercado pede likes. Fórmula simples e exequível. As consequências disso na sociedade, talvez só os chatos (como eu) reflitam.

Nosso maior youtuber tem um canal na internet para falar suas proparoxítonas, lembranças da infância,  ostentação e vida mansa. O cidadão dono do canal está sempre em viagem e comprando o melhor carro importado de todos os tempos da última semana. Para seu público, a vida que todos pediriam aos deuses.

Por trás daquele entretenimento há o esforço do rapaz para ensaiar seus vídeos, suas paródias e seu conteúdo. Talvez (e muito talvez mesmo) ele até acorde cedo para pesquisar e aprimorar seu trabalho. Sim, é um trabalho e (penso que) ele se esforça para cumprir suas obrigações e se manter no mercado.

O problema está quando não se consegue separar a fronteira entre personagem e indivíduo. Quando a cultura do efêmero e das relações sociais baseada no consumo propõe que o lifestyle vem de forma mansa, com curtidas e comentários na rede social.

As políticas públicas pautam-se na falta de acesso de uma camada da população às oportunidades da classe média. Quando uma menor aprendiz é contemplada com a possibilidade de entrar no mercado de trabalho, encontrar uma vocação e aprimorar seus conhecimentos, ela também passa a pertencer ativamente dessa sociedade do consumo e ostentação.

Se o salário não for correspondente as “necessidades” do lifestyle em voga, procuram-se os caminhos alternativos não pautados na ética e/ou moralmente aceitos.

“Ah por que não tem dinheiro para comprar o sapato da moda, vai roubar ou se prostituir?”

Não exatamente. EU não faria isso. Talvez você também não fizesse. Quem teve educação e preza por ela, sabe que o errado é errado mesmo que todos estejam fazendo. Que o jeitinho malandro “achado não é roubado” é tão corruptível quanto tirar doce das criancinhas.

Quem procura exercer um pouquinho da educação, entende que essa sociabilização através do consumo provoca mau estar. Já disse nesse espaço que Black Mirror não é só ficção né?

Os desejos e sentidos produzidos pelos indivíduos foram apenas potencializados pelas novas tecnologias. Se os bárbaros e Vinkings faziam uso da força para mostrar seu poder e supremacia, a sociedade que se diz tão moderna, é a mesma que vivia nas cavernas. O consumo desenfreado, a ostentação para socialização e a diferenciação pela mercadoria feitichizada, não está muito distante das práticas irracionais dos séculos passados.

Sobre o crime citado no início dessa postagem, é lamentável por todas as esferas. Do pai de família assassinado, aos participantes que talvez nem saiba que também são vítimas. Aliás, toda a sociedade é vítima e, nesse sentido, vale a reflexão do tipo de relação que estamos estabelecendo. Do tipo de sociedade que estamos construindo para nossos jovens, adolescentes e crianças…

Abraços sinceros e não midiatizados!!

Jornada para casa

06/03/2017 - Atualizado em: 06/03/2017, 12:53 Publicado por: Flalrreta Alves

A semana de carnaval não saiu exatamente como o planejado e a vida já mostrou que não é um fluxograma. Na tentativa de abstrair fortes emoções, fui ao cinema. A ideia era assistir Moonlight- que na ocasião ainda não tinha ganhado o Oscar de melhor filme-, mas uma confusão entre o horário das sessões me levou a assistir Lion- Uma jornada para casa.

Esse filme já estava na lista para audiência. Só não deveria ser naquele momento… Se a tristeza já estava ocupando um espaço considerável, durante o filme ela saiu por lágrimas a fio!!! A história é linda, forte e emocionante! Vez ou outra me pego gritando “Guduuu”.

Na história (baseada em fatos reais), um garotinho de cinco anos de idade se perde do irmão e, ao descansar numa carruagem de trem, acaba sendo levado para mais de mil quilômetros da estação onde estava. Enfrenta as dificuldades de viver abandonado numa cidade grande, com o desafio do idioma local e os riscos que uma região em desenvolvimento urbano traz. Passados alguns dramas nas ruas, o garoto é levado a um abrigo de menores, onde é adotado por um casal de australianos e 25 anos depois decide ir atrás da família que o gerou. Os comentários técnicos sobre o filme, meu amigo Rhuan Piauilino (do Monoculo) pode explicar melhor para vocês. Vou apenas expor duas coisinhas. Primeiro: Amo Dev Pitel Patel, mas o Saroo criança é a coisa mais fofa do filme! Um Oscar para aquele atorzinho!!! Segundo: Nicole Kidman continua lindamente linda e tem todo o direito de envelhecer…

Um ponto da repercussão do filme que quero trazer para cá é a causa que ele está propondo mobilizar: Crianças desaparecidas ou em situação de risco. O filme expõe a situação da Índia, o segundo país mais populoso do mundo concentrando 1/3 da pobreza mundial. Segundo o site www.lionmovie.com, aquela região tem um índice de 80 mil crianças desaparecidas POR ANO.

As causas de desaparecimentos na Índia e em qualquer lugar do mundo são as mesmas: fuga, rapto, crime, pedofilia, prostituição, tráfico. Não há consenso entre os números globais de desaparecimento e na África e Ásia essa estatística é ainda menos organizada. Por isso o empenho da Unicef em ajudar crianças desaparecidas nos dois continentes citados. Nesse sentido, a indicação do filme ao Oscar proporciona visibilidade para além da técnica cinematográfica e pode ajudar numa causa que, embora tenhamos contato atualmente, ainda é desorganizada em algumas partes dos mundo.

Na sociedade em midiatização, vez por outra aparece alguma campanha na tentativa de mostrar aos pais o quanto seus filhos são vulneráveis. Em mídias como whatssapp,  desde 2013 circula um vídeo produzido na Malásia, para alertar os pais sobre a facilidade que os criminosos encontram em raptar os pequenos, especialmente em momentos de distração ou descuido dos familiares.

Um dado assustador: a cada onze minutos uma pessoa desaparece no Brasil. A maioria, crianças!! Em nosso país, existe um cadastro nacional de pessoas desaparecidas (não só crianças) www.delegaciacnpd.org onde dados apontam que a cada três vítimas dos trafico humano, uma é criança e a cada três crianças, uma é menina. Através do site
www.desaparecidosdobrasil.org o assunto entrou em pautas dos programas de televisão e telenovelas nacionais. Mas, acredite, ainda não é suficiente!

Além disso, um pormenor: E quando os pais não proporcionam as condições necessárias para “preservar” a infância da criança?

Fotografia do Filme “Lion, uma jornada para casa”. Imagem: Divulgação

No filme (SPOILER), Saroo trabalha com irmão e foi numa tentativa de trabalho que ambos se perderam. A Organização das Nações Unidas já se manifestou contra o trabalho infantil e a Unicef também atua nessa causa. No Brasil, foi criada a pastoral da criança com o objetivo de orientar e acompanhar famílias para o desenvolvimento integral da criança “promovendo, em função delas, também suas famílias e comunidade”.

De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”. Pelo ECA, é dever de todos os cidadãos e obrigação do Estado promover essa proteção.

Além do “desaparecimento por causa fortuita”, crianças que não vivem em condições consideradas saudáveis, são retiradas do local de risco e acolhidas em abrigos especializados. No Piauí, temos duas casas de acolhimento para essas crianças: A casa do Reencontro, localizada na zona leste de Teresina e mantida pela prefeitura da capital e o Lar da Criança Maria João de Deus, localizado na zona Norte de Teresina e mantida pelo governo do Estado. Nessa última, as crianças são vindas de demais localidade do Piauí que não seja a capital Teresina.

Atualmente, o Lar da Criança Maria João de Deus abriga dezenas de crianças em processo de readaptação e “adultos” em situação especial. A instituição é mantida pelo Governo do Piauí, através da Sasc (Secretaria da Assistência Social e Cidadania), mas é totalmente aberta a receber auxílio da comunidade em geral. Inclusive, os funcionários da casa relatam que as doações precisam ser constantes, principalmente de material de limpeza e fraldas descartáveis.

Um pouquinho de tempo para a jornada de cada um. Imagem: Arquivo Pessoal

No último sábado (04/03), um grupo de pessoas ligadas ao cinema esteve no local exibindo a animação vencedora do Oscar 2017 (Zootopia). Perceptível era o interesse das crianças pelo filme e pelas pessoas que lá estiveram para exibi-lo.

O Lar da Criança Maria João de Deus fica localizado na Rua Empresária Giza – s/n, bairro Vila Operária. Atividades culturais e passeios também são uma forma de doação. As crianças adoram receber visitas e interagir com quem está disposto a doar um pouco do seu tempo e afeto. Os interessados devem procurar a direção da casa através do número 3213-1770 e agendar uma visita prévia com a direção antes da visita direta com as crianças. Existe também a possibilidade de apadrinhamento a uma dessas crianças. Essas e outras informações também estão disponíveis no site www.padrinhonota10.com.br.

Como disse no início, a visibilidade que o filme Lion proporciona, também pode ser feita aqui pertinho da gente. O privilegio de poder conferir tal obra de arte no cinema, ao privilégio de poder participar de encontros como os de sábado, servem também para nos tornar humanos demasiadamente capazes de lidar com as diferenças e reconhecer nossa função social diante de tanta intervenção que nossa forma de organização traz.

Tentei escrever esse texto de forma mais objetiva e menos sentimental possível. Afinal, agora que findou o carnaval e o ano de alguns começou…Torço para que cada um faça sua parte na jornada para casa. Beijos de luz para todos!!

Sem pressa e para sempre

16/02/2017 - Atualizado em: 17/02/2017, 11:13 Publicado por: Flalrreta Alves

Há dezesseis anos existe o curso de Relações Públicas na Universidade Estadual do Piaui (UESPI). O único do Estado e um dos poucos da região Nordeste e do Brasil. O curso era uma segunda habilitação da Comunicação Social concomitantemente à habilitação de Jornalismo nas cidade de Teresina e Picos, onde ao longo de cinco anos e meio (11 períodos) e dois TCC’s, enfim o diploma era conquistado.

Nesse tempo, mais de cinquenta profissionais foram formados para atuar em comunicação institucional, empresarial e eventos algo que pouco temos visto na nossa cidade. Quanto profissionais que atuam nessa área são bacharéis em RP? Quais deles possuem o registro? De acordo com a legislação vigente, para atuar como Relações-Públicas, é obrigatório o grau de bacharel E o registro profissional junto ao conselho correspondente (Conferp).

Lembrando que: Relações-Públicas atua NOS BASTIDORES, na comunicação integrada, na articulação, na promoção… Quem precisa de holofote (ou não) é o cliente, e não o profissional.

Para fomentar ainda mais esse debate, finalmente a habilitação foi “separada” de jornalismo. A partir de 2018, quem tiver interesse em cursar a profissão mais linda do Brasil, pode concorrer somente a ela e receber o diploma em apenas quatro anos. Entrei para o grupo que diz “no meu tempo não tinha essas coisas” rs.

Em plena era do excesso da informação, onde o receptor também se torna produtor de conteúdo, um profissional com essa formação é mais do que necessário para mostrar que focinho de porco não é tomada.

Nos últimos dias tivemos em pauta na capital do Piauí, a “crise” enfrentada por uma empresária/estilista/modelo famosa pela cidade. O detalhe é que a crise foi instalada pelo fogo amigo, provocado pela maximização de um erro.

Atendendo a pedidos de colegas, amigos e alunos, vou publicar o caso e a crise. Se chegar processo a gente divide a multa kkk

Prazer, I’m RP

O acontecimento:

Uma cliente de uma loja conceitual em Teresina que, dentre outros, vende peças exclusivas, se sentiu lesada por descobrir que algumas peças que ela teria adquirido na loja também são comercializadas em lojas populares da capital paulista. De acordo com o áudio que a cliente compartilhou num grupo de amigas, se conformou em pagar o alto valor cobrado pela garantia de ser uma peça exclusiva e de pedraria importada.

A crise:

O assunto corria via redes sociais e por lá deveria ser encerrado. Mas a atitude da assessoria de comunicação foi enviar release (sem muito esclarecimento por sinal) para todos os veículos de comunicação local. Quem não sabia do caso, ficou sabendo e quem sabia ampliou mais! Além de ser “assunto do dia” na cidade, ganhou repercussão nacional em sites como Veja, Exame e Uol.

Após o vacilo da assessoria, os vídeos da principal atingida: a proprietária da loja!

A moça, muito bonita e de sobrenome tradicional (Teresina ainda leva muito em consideração a questão do sobrenome) utilizou o espaço de uma rede social para mais uma vez expor o caso. Com voz um pouco trêmula, falou algo do tipo “eu não sabia”, “eu não tenho culpa” “emprego pessoas” “pago impostos”. Vou me abster de comentar que essas duas últimas também são utilizadas para quem debate a legalidade das drogas e me ater ao que mais incomodou enquanto PROFISSIONAL de Relações Públicas : “Vou gravar para quem NÃO ME CONHECE” e “Vou trabalhar enquanto vocês pulam carnaval”.

Não sei vocês, mas eu vou passar o carnaval no bloco da dissertação e nem por isso vou condenar ou me sentir superior a quem vai curtir a folia momesca. E olha que é um tipo de festa que nem curto muito!!

E “o público que se dane”? Até Rockefeller voltou atrás dessa afirmação…

Um pedido de desculpas era O MÍNIMO que deveria ser feito a TODOS os clientes. Principalmente para quem a conhece.

Em três dias de repercussão, somente no final dessa tarde tomei conhecimento de uma matéria onde o esposo da empresária admite que tentou se desculpar e ressarcir a cliente do áudio. Penso que ele saiba da gravidade da situação de acordo com o artigo 66 do CDC.

No mais, nem a assessoria nem a própria moça demonstraram preparo para atuação em momentos de crise.

Outro ponto importante para aqueles que têm uma opinião formada sobre tudo: o debate não gira em torno de “não usar roupa do Brás” ou “as dondocas souberam agora que a prática é comum em várias lojas”. Pelo que entendi do áudio da cliente, ela pediu perfis de lojas daquela região pois faria uma viagem à SP e aproveitaria para fazer compras. Ou seja: ela usaria roupas da região do Brás sem problemas algum, desde que soubesse de onde viria.

E isso virou pauta formal que há tempos rondava as conversas informais: etiquetas vendidas como criação própria.

Não, não é novidade que muitas lojas “de grife” da cidade fazem isso. E se cobram por um valor de 400% do preço de compra, é porque tem quem pague! Se alguém compra roupa a 10 reais no Buraco da Gia (Fortaleza) e a vende em Teresina por 200, é porque tem quem esteja disposto a pagar. E eu não vou entrar na questão de quem compra coisas por status porque isso afetaria também uma das categorias de atuação da minha profissão.

Tem gente que troca de carro a cada ano, tem gente que compra roupas CARAS a cada estação, tem quem gasta meio milhão numa festa que só dura uma noite, tem quem prefira viajar… Cada um com seu cada qual. Desde que seja uma grana conquistada de forma ética e honesta, né?

Só nunca consegui entender como é que Teresina tem grana para ostentação de consumo efetivo mas, DE ACORDO COM O PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, o Estado não tem arrecadação suficiente nem para pagar os funcionários em folha.

Estratégia de relacionamento é coisa séria. Não é algo que deve ser entendido por likes em rede social. Black Mirror não é ficção e o homem moderno tem sua cultura mediada pelos meios de comunicação, potencializado por dispositivos interacionais. Mas isso é tão somente um meio… NUNCA ESQUEÇAM DISSO.

Dia desses a loja linda da moça estava lotada. Fotos e vídeos por todos os lados. Quando a repercussão estava feita, não vi nenhum dos presentes naquela ocasião se manifestar publicamente. Exceto outra empresária que também traz produtos de SP e revende a preços exorbitantes em Teresina.

Sim, paga-se pela marca. Pelo branding da loja, pelo lifestyle e etc… Mas encarar uma crise de frente, é o básico do básico e não precisa ser rrpp para entender isso.

Apagar comentários e gritar que “eu faço se eu quiser” não é coerente para quem se lança como figura pública. Quem se propõe a ser figura midiática (modelo, atriz, bailarina, blogueira, digital influencer…) deve entender que É um produto e sofrerá o ônus de ser avaliado como tal! Que tenha maturidade para entender que essa avaliação faz parte do mercado e não leve atuação de NENHUM PROFISSIONAL para o lado pessoal.

Entendo que a gente só deva receber e compartilhar amor. Mas amor com arrogância não adianta, né? Ou adianta?

Não usem o argumento “é inveja”, “recalque”, “frustração”, “compra quem pode”. Isso demonstra superficialidade e sei que vocês são melhores que isso.

Admiro a ousadia da Andressa Leão em colocar seu nome em peças que que ela não produz. Admiro a persuasão de fazer um público que se acha rico e viajado, comprar suas peças a preços exorbitantes. Torço muito pelo sucesso da nova proposta da loja porque além de estar belíssima, sou fã de empreendedores. Postei sobre a beleza da nova loja nos vídeos do meu Instagram ainda em dezembro, quando a vi pela primeira vez.

Arte Urbana na fachada da nova loja. Está belíssima!! (Foto: Ítalo Lima via Facebook)

E um pedido para todos que consideram-se aptos para o assunto: por favor, levem a comunicação a serio. Levem anos de pesquisas e dedicação nessa ciência a sério. E isso vale não só para o caso citado, mas em várias defasagens que têm ocorrido na nossa capital. O principal motivo que me faz publicar esse texto.

Assessor não é protagonista

Na administração pública deve prevalecer sempre o princípio da impessoalidade. Por mais que o gestor tenha intenções de cargos eletivos, colocar o nome dele a todo custo na mídia causa disfunção narcotizante. Chegamos ao ponto de até fofoca em que “secretário fulano de tal está solteiro e paquerando a empresária tal” é divulgado em coluna social e o contribuinte pagando por isso!!

Vamos nos respeitar e acima de tudo, respeitar os outros.

Nem que seja pelo menos o HÍFEN diferencial de Relações Públicas e Relações-Públicas.

No mais, beijos de luz da RP que  atua profissionalmente em empresa pública e privada, e pesquisa midiatização, consumo e lifestyle com todo apoio da Capes. Entendo que currículo Lattes não morde, mas em tempos de crise de credibilidade, acho válido até dispor o link.

 

Louco é quem me diz *

06/02/2017 - Atualizado em: 07/02/2017, 20:39 Publicado por: Flalrreta Alves

Na ultima quarta-feira (01/02) foi divulgado um vídeo promocional da nova temporada do Salve Rainha. No vídeo, a belíssima canção de Johnny Hooker, purpurina, sorrisos, alegria… um carnaval, como deve ser nossa festa! Não fosse pelo local escolhido, eu teria compartilhado no mesmo instante, apesar da menina de biquíni!!

Acompanho o trabalho do coletivo Salve Rainha desde a primeira edição, lá na praça do skatistas onde também funcionou a sede  do Salão de Humor do Piauí. Conhecendo a proposta do coletivo e do seu idealizador, abstrai a moça de biquíni pela Frei Serafim porque sabia que a proposta não era objetificação do corpo feminino. Não mesmo!

But, festa NO MEDUNA?? Fechei a cara (pra variar), mas fiquei na minha. Tenho pessoas próximas que estiveram internadas diversas vezes por lá, inclusive, há três dias do local fechar as portas, em 2010. As recordações do sofrimento à família não são das melhores e por isso a recepção negativa referente A FESTA no local escolhido. A galera faz um trabalho tão massa que não valeria me indispor por isso. Além de quê (PRINCIPALMENTE PORQUE) daria visibilidade a mais um prédio que temos e não é valorizado…

Nos dias seguintes percebi que não era uma opinião isolada. Vários teresinenses, inclusive pessoas que trabalharam no local e pessoas que, assim como eu, acompanham e apoiam o trabalho do Salve Rainha, reprovaram a festa naquele que foi nosso “nau” até dia desses.  O assunto repercutiu por dois dias nas redes sociais, compararam com a Central de Artesanato, Memorial do Holocausto e etc.

Entre gritos e gemidos, ~intelectuais~ tornando ilegítima a comparação com o Holocausto. Na minha humilde opinião, em devidas proporções é sim uma comparação viável. E nem estou falando desse texto aqui. Não vou entrar em detalhes porque o portal OioMeia já fez uma matéria bem apurada sobre essa “treta mafrense”.

No sábado, vésperas de iniciar oficialmente a primeira temporada, foi divulgado o horário que aconteceria um debate sobre saúde mental. Segundo o coletivo, essa proposta já existia antes da “polêmica” relacionada ao evento dessa temporada.

Banner de divulgação do coletivo. Esse eu compartilhei nas minhas redes sociais

No domingo (05), fui ao debate. Entre depoimentos de pessoas engajadas na luta antimanicomial e promoção da saúde mental, um jovem com transtorno bipolar fez seu relato e também questionou a realização da festa no local. Pelo que acompanhei EM NENHUM MOMENTO o coletivo pediu desculpas. Sugeriu que foi uma má interpretação das pessoas, e insistiram na questão de ressignificação.

Não estou aqui para reprovar A ou B. Mas, enquanto Relações-públicas, devo dizer que um pouquinho de humildade só otimizaria aquilo que já é bom. Até mesmo porque a representante de um dos coletivos de saúde mental comentou ainda não sexta-feira que só soube da temporada através da repercussão. Ou seja…

Pronto! Encerro por aqui meu adendo  e vamos focar no que interessa: o evento aconteceu e foi lindo!!

E mais: muita gente que não sabia da história, ficou sabendo a partir da repercussão e se interessou em participar!

Momento do debate sobre saúde mental. Creio que eu seja aquele pontinho rosa à direita. Imagem: Coletivo Salve Rainha

A tal da globalização faz esse tipo de coisa com a geração Y. Uma galera frequenta o shopping ao lado do Meduna, assiste filme (coladinho ao prédio), acompanha toda a saga Game of Thrones, mas não sabe o que está contido em Machado de Assis (O Alienista) ou qualquer outro livro de O.G.Rego de Carvalho. Quiçá, trabalhos acadêmicos que envolvem a história do hospital privado conduzido pelo médico, professor e político Clidenor de Freitas Santos.

Nesse sentido, desejo que a ocupação seja tão intensa quanto o coletivo. Que o debate seja tão emocionante e produtivo quanto o que eu vi no domingo e que a memória não seja apagada.

Ressignificar sim! Celebrar com vida e luz aquele que ainda é considerado um local de trevas. Mas com responsabilidade e respeito à memoria dos que ainda estão nessa luta. Muitos salves e luz a todos os envolvidos.

 

Beijos!!

*Trecho da “balada do louco” do grupo Os Mutantes

Tocando na ferida

21/01/2017 - Atualizado em: 22/01/2017, 10:14 Publicado por: Flalrreta Alves

Uma das pautas recentes nos grupos de redes sociais em Teresina gira em torno de um livro adotado por uma das escolas mais tradicionais da capital do Piauí.

Com ensino orientado pela religião cristã católica, a escola da rede privada de ensino acatou a solicitação dos pais e retirou o livro da pedagogia adotada para o ano letivo: sétimo ano do ensino fundamental. O comunicado foi enviado ao responsável pelo aluno e também publicado no site oficial da escola. Nas redes sociais, os comentários são do tipo “palavras chulas e vocabulário pobre”, mesmo após a escola ressaltar em seu comunicado oficial que o material tem uma “inegável qualidade artístico-literária”.

“Palavras chulas” e “vocabulário pobre”, é referente ao conto “O Cobrador”, escrito por um profissional que, dentre vários outros,  já recebeu o prêmio Camões (2003), Prêmio Correntes da Escrita (2012) e o mais recente prêmio Machado de Assis, pela Academia Brasileira de Letras: Rubem Fonseca.

 A história narra um estupro à patroa da casa, enquanto a empregada é trancada no banheiro, com a proposta de retratar a violência urbana na década de 70. Não muito diferente dos dias atuais, onde, de acordo com estudo divulgado pelo Banco Mundial, a cada onze minutos uma mulher entre 14 e 40 anos é violentada no Brasil.

O livro em questão é “Leituras do escritor” de Ana Maria Machado. Uma antologia de contos escritos por Machado de Assis, Lima Barreto, Érico Veríssimo, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Gabriel Garcia Marques, Clarice Lispector, dentre outros…

O livro apresenta uma coletânea de contos escolhidos por Ana Maria Machado . Imagem: Dobras da leitura

O livro apresenta uma coletânea de textos escolhidos por Ana Maria Machado . Imagem: Dobras da leitura

A lista para bibliografia obrigatória do sétimo ano também inclui o livro “As crônicas de Nárnia”. Que bom seria um mundo lúdico para vivermos a magia conversando com as plantas e os animais…

O problema, meus amigos, é que a realidade vai existir mesmo que a gente tente fechar os olhos para ela. É mais honesto e seguro que haja o acompanhamento e o debate como forma de tentar garantir a proteção.

Em 2012 tivemos jovens compartilhando imagens despidas nas redes sociais. Jovens de quatorze anos de idade em motel da cidade ostentando esse estilo de vida com naturalidade para quem quisesse saber. Exceto os pais. Esses não sabiam. Alguns entraram em depressão e mantiveram uma reclusão social ao saber por meio de terceiros que seus filhos crianças já tinham vida sexual ativa. E o pior, com uma grande parte da cidade sabendo!

Sou mãe de uma criança do sexo feminino que estuda na escola em questão. Não sei quais serão meus anseios quando ela tiver com doze anos de idade (sétimo ano). Por enquanto, me senti feliz e aliviada pela proposta de levar um antropólogo para debater o dia do índio na educação infantil, por exemplo.

Aos quatro anos de idade, ela e os coleguinhas de turma da educação infantil, sabem sim que o Papa Capim da turma da Mônica é um índio fofo e que devemos proteger a floresta. Mas também  têem noção de que  a terra indígena no Brasil é reconhecida por lei nos Termos da Constituição Federal (e atualmente corresponde a 12%).

Participar de cada etapa da formação de um indivíduo, em especial o/a filho/a, é um privilégio. Mas nem sempre estaremos juntos para dizer que a faca vai cortar e o fogo vai queimar. É preciso que eles saibam e tenha consciência disso, e nesse sentindo contamos com o apoio da escola para a educação.

Até concordo que a crônica tem linguagem forte para o público cada vez mais infantil (uma divida histórica que temos com as crianças, uma vez que, de acordo com Philippe Ariés, até o século XVIII essa faixa etária não tinha muita relevância na sociedade). Mas uma coisa é o texto ser inapropriado para menores e outra coisa é Rubem Fonseca ser mau escritor.

Usar três parágrafos de um texto para posicionar-se a respeito de uma característica que criou até um novo estilo literário no país vai para além da desonestidade intelectual. Isso monstra o que quanto realmente somos um país de agitadores não leitores.

Enquanto ex-aluna e mãe de aluna, tive um princípio de decepção por achar que a escola teria solicitado um livro sem ao menos ter lido o conteúdo. Mas a decepção ficou somente pela falta de pulso, o que é uma pena porque no que depender de mim, não vou maquiar os fatos nem para mim nem para os outros.

Entendo a escola e achei louvável o pronunciamento em tempo hábil (mostra que tem compromisso também pela boa comunicação). O processo precisa ser sólido e verdadeiro. Não adianta comemorar o dia da família em maio e no mês seguinte impedir que um aluno do sexo masculino dance quadrilha por estar usando um vestido né?

Desculpas, sociedade, mas alguém precisa falar que o rei está pelado.

Material Escolar

12/01/2017 - Atualizado em: 12/01/2017, 12:10 Publicado por: Flalrreta Alves

Inicio do ano a gente já se prepara para as pautas obrigatórias: metas a serem cumpridas e pagamentos de boletos. Que tem filho (s), esses boletos incluem a famosa lista de material escolar.

Pela lei, a escola não pode pedir material de uso coletivo nem oferecer a opção de pagar na escola para que os pais não tenha que ir atrás dos itens (aquisição do material feita no próprio estabelecimento).

Mas… dura lex sed latex né?

Porque tem escola em Teresina que oferece a opção de receber o valor da lista em $$ (para que os pais não precisem comprar e levar o material em si) e tem escola que pede material de uso coletivo (a que minha filha estuda, por exemplo).

Vamos fazer um escândalo por causa disso? Nunca vi. Nem sei fazer, na realidade.

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Será que o material será TODO utilizado? Imagem: Google

Acho um exagero a escola pedir 30 lápis de cada aluno da turma. Mas se eles acham que é necessário, me faço de doida e vou atrás dos benditos lápis mesmo sabendo que a peça pode variar de preço em até 400% (segundo o Procon). Tudo em prol do bom exemplo…

Na procura pelo melhor custo benefício, uma enxurrada de publicações com “dicas para economizar na compra de material escolar”. Torço para que um dia essa lista tenha um objeto empírico, porque até agora não encontrei nada além do óbvio ululante.

Focando a educação infantil (meu caso) não é muito produtivo procurar por livros na feira do livro usado (infelizmente). A maioria dos livros utilizado nesse nível educacional inclui pinturas, desenhos, recorte e colagem e, mesmo que o livro seja versão para professor, passar o corretivo reciclável não vai ajudar. Pelo contrário, atrapalha o espaço para desenho e pintura. Nesse caso, infelizmente ainda não é possível economizar tanto. Exceto se for uma mamãe (ou papai) que também seja professor(a), e usufrua do desconto de 15% em algumas livrarias, ou faça uso da legitimidade para comprar diretamente com a editora.

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Na imagem só tem quatro, mas fiz umas DEZ cópias da lista. Imagem: Arquivo Pessoal

O que é uma pena porque um livro na feira custa até 50 reais, enquanto o mesmo livro na Livraria custa 149.90. Ingeri três copos de água e dois de café para aceitar que, INFELIZMENTE, eu teria que comprar o livro novo, caso não quisesse comprometer o desenvolvimento da minha filha durante a tarefinha.

Para não contaminar nos orçamentos, fiz várias copas da lista e entregava uma diferente em cada livraria/papelaria. O valor do livro novo também é bastante variável viu? E, acredite, o de 149,90 ainda era o mais barato!!!

Material de uso coletivo (aqueles que ficam na escola) também é espinhoso restringir. Embora não concorde com os trinta lápis por aluno da turma, penso que possa haver alguma dinâmica durante o ano letivo e essa riqueza de lápis seja utilizado.

Com as novas tecnologias e a sociedade em midiatização, existe a opção de criar grupos de whatsapp para compra de material escolar no atacado. Mamães e papais das escolas mais tradicionais de Teresina se unem em prol desse objetivo. Basta um CNPJ e tudo se ajeita.

Ilegal? Roberto da Matta diz que o jeitinho brasileiro existe para que possamos driblar as dificuldades da vida. Passar três horas e algumas chateações na fila para aquisição do material escolar pode ser suprimido pelas caixas em atacado e a divisão na casa de um coleguinha né? Rola até happy hour…

Outra dica consiste no aproveitamento de material do uso anterior. Existe alguma pessoal responsável pelo aluno que não faça isso? O carimbo escolar, por exemplo, já vai para o terceiro ano de utilização… O mesmo vale para a tesoura sem ponta, avental, pasta classificadora, portfólio…

Só não vai a mochila porque ela só aguentou dois anos! Não que esteja rasgada, carimbada, profanada, embriagada. Mas chega um momento em que a gente percebe a qualidade do material e deduz que aquelas rodinhas já não vão aguentar muito tempo. E se é para passar perrengues já no início das aulas, é melhor prevenir né?

Inicio das aulas tem cheirinho de caderno novo, caneta nova e esse ano terá mochila nova também!

Item caro, com certeza! Principalmente se os filhos pedem estampa de algum personagem patenteado pela indústria de entretenimento (Star Wars. Por exemplo). Mas, acredite, é possível encontrar mochila bonita e de qualidade por menos de R$ 300,00 viu? Temos exemplos empíricos … rsrs

Até ano passado fazia avaliação das livrarias/papelarias em que buscava os itens da lista. Numa escala de 0 a 10, atribuía notas àquelas em que eu era bem atendida e pela variedade de produtos disponíveis. Esse ano, para evitar injustiças (uma vez que não tive/terei tempos para visitar a maioria) optei por não fazer. Curiosamente, as notas das que pude ir continuam as mesmas do ano passado…

Tem coisas que não mudam né?

Mas e ai, como está a experiência de vocês?

 

 

 

2016, o ano do amor

31/12/2016 - Atualizado em: 31/12/2016, 16:40 Publicado por: Flalrreta Alves

 

Título audacioso para um ano marcado por separação de casais cuja união era símbolo de eternidade para os fãs né?

Isso se deve à idealização do que temos sobre amor: um deve ser do outro até o “para sempre” que ninguém procura saber aonde vai dá, exceto que seja para todo o sempre amém.

Com nossa essência ligada ao prazer, consideramos dores e “separações” frustrantes, uma vez que relacionamos amor a uma felicidade plena. Frustração que atravessa o campo pessoal e é levado para o campo ideológico, como a relação (casamento) de indivíduos que nem fazem parte do nosso convívio real (Bonner & Fátima, e Branjelina, por exemplo).

De acordo com Schopenhauer, criamos inconscientemente certos desejos para satisfazer nossos anseios e tornar nossa vida mais alegre. Dessa forma, anestesiamos a “dor” através de um prazer instantâneo que para ele não é amor nem felicidade.

Essa anestesia pode vir pela idealização de um “casamento dos sonhos”, uma família perfeita, amigo para todas as horas, um comercial de perfume…

Ai de maneira nada romântica, chega o “filósofo do pessimismo” e diz que amor é uma necessidade biológica e natural de procriação, disfarçado de subjetividades para o ser humano.

Há quem diga que Schopenhauer considera amor “uma dor” porque nunca encontrou felicidade nos relacionamentos. Aliás, levou incontáveis foras de mulheres pelo mundo.

Considero que Schopenhauer acreditava que o amor era um mal necessário e o erro estaria em esperar demais dele e acreditar que só amamos uma vez na vida.

amor

 

Com o decreto de monogamia para fins de desenvolvimento da propriedade privada, as frustrações de um relacionamento passaram a ser considerada dor, defeito, infelicidade e falta de respeito entre as partes, pois convencionou-se que uma pessoa seria TUDO o que um ser humano precisaria, sendo que esse tudo não incluiria defeitos e rotinas. Essa consideração além de irracional, é injusta, uma vez que deposita num individuo as expectativas de preencher lacunas que o outro não tem.

“Ninguém é feliz tendo amado uma vez” diz Raulzito.

A verdade, é que amor é tão mutável quanto paixão. Ele tem crises e se renova, tal como o capitalismo. A mais linda de todas as considerações, é que ele sempre permanece.

Quando Fátima e Bonner se separaram, muitos lamentaram  “não acreditar no amor”. O casal viveu juntos por mais de 25 anos e construiu uma relação profissional sólida, construíram patrimônio material, imaterial e educaram três filhos que, independente de qualquer coisa, continuarão tendo uma família.

Ouso dizer que o amor também não acabou, afinal, o que é amar?

Regina Navarro cita que, na melhor das hipóteses, “amor é uma convergência de muitos desejos, alguns deles sexual, outros éticos, muitos diretamente práticos, outros poucos românticos e fantásticos”. Tem uma série de considerações a respeito do tema em “O livro do Amor”, quem puder se permitir um presente de ano novo, recomendo a leitura.

Para mim, amor é cumplicidade, lealdade, admiração, incentivo. E fazendo, uso de Navarro, “não queremos só sexo e segurança, mas também felicidade, companhia, diversão, alguém para viajar, sair, ouvir conselhos, ter orgulho desse alguém, enfim, uma associação com quem é uma vantagem social e um aliado”. Isso não significa que é regra amar várias pessoas ao mesmo tempo, mas que a saúde mental do amor deve girar em torno dessas características. Renovar o amor sempre, ainda que seja com a mesma pessoa. ÓTIMO que seja com a mesma pessoa, inclusive!

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Amor é construção e cumplicidade (Imagem: divulgação)

Amor é construção e cumplicidade! Tem horas que cansa, que desiste, mas tem momentos que se renova. Nesse sentido, digo que Bonner e Fátima continuam se amando, pois estarão sempre apoiando e incentivando um ao outro (eu acho né. Não conheço o casal…).

Se é sentimento, desejo, palpável ou imaterial, não é a prioridade no momento. Devemos considerar que o amor não precisa ser idealizado para existir. Você pode amar na saúde e na doença, mesmo que não tenha contratos estabelecidos para isso. Inclusive, pode amar até se um contrato for desfeito.

Nossa “vontade” deve existir para tentar ser uma pessoa melhor, ter mais empatia, aceitar que nem tudo depende só da gente e que amor é muito mais do que aquilo que a indústria cultural nos coloca.

Amar a leitura de um livro, o cheiro de café quentinho, banho de chuva, comida exótica, companhia maravilhosa, sorrisos… não personificar.

Amor vem de dentro, de cada um de nós, e se renova a partir do momento que decidimos continuar a construção daquilo que chamamos amor.

Que em 2017 possamos ser mais amáveis e amados. Um ano intenso e cheio de realizações para todos nós!!

Feliz ano e amores novos!!

Aos trinta

21/12/2016 - Atualizado em: 22/12/2016, 08:30 Publicado por: Flalrreta Alves

Aniversariar no mês mais festivo do ano é exercer a paciência pela movimentação do rito e conciliar agenda de confraternizações. Como boa adepta do jogo do contente, escolho dançar conforme a música: onde tem #confras, tem parabéns para mim!

Em 2016, a idade é de rombo: 30 !!

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#Trintei, E NÃO FOI DE REPENTE!

Aos trinta, a empolgação por uma festa pode ser facilmente suprimida pela adrenalina e responsabilidade do final de período na universidade. Alegria tão gostosa quanto um bolo de chocolate fica por conta da nota 10 no histórico acadêmico.

Aos trinta, você já reconhece que há detalhes tão mais importantes e empolgantes que outros nem tão efusivos assim…

A internet está cheia de listinha sobre “coisas que você precisa saber/fazer aos trinta/antes dos trinta” e parece esquecer-se de finalizar com a mais importante: aos trinta, você já tem paciência para lidar com o fato de não ter se identificado com nenhum dos itens da tal lista.

Você já teve alguma lista de “coisas para fazer antes dos trinta”?

Na minha lista idealizada, eu deveria ter conhecido todos os países da América do Sul e concluído o doutorado. Na minha lista #reallife, conheço todas as capitais do Nordeste e ainda estou cursando o mestrado…

Frustração? Jamais!!

A mulher de trinta já tem um pouquinho de discernimento para separar o joio do trigo nessa sociedade cheia de contradições…

Contradições já apresentadas desde o século retrasado através do famoso livro de Honoré Balzac. Embora evoluídos em acessos e publicações,  “A mulher de trinta” ainda é uma das maiores referências para a “era Balzaquiana”.

Numa época em que a literatura exalta(va) romance idealizado por jovens e adolescentes, colocar uma mulher casada como protagonista para falar de relacionamentos, choca até uma sociedade nem tão doutrinada no conservadorismo/tradicionalismo  como a francesa. Através da personagem Julie, Balzac valorizava a beleza, experiências, pensamentos, desejos, angústias, e o direito de ser feliz daquela que não era tão mais jovem e dependente (emocionalmente).

Se nos dias atuais, mulher tentar mostrar que o rei está nu é motivo para adjetivação dos mais chulos termos, imaginem no século XIX quando não existia lei de apoio nem organização civil que levantasse a discussão por direitos e respeitos da mulher (que hoje chamamos de feminismo).

Quando publiquei aquele primeiro texto nesse espaço, fiquei atenta à recepção dos mais diversos tipos de público.
Como boa balzaquiana, só absorvi o que me acrescenta!!

À propósito, o termo “Balzaquiana” entrou no vocabulário português para muito além da referência à obra de Honoré Balzac. O adjetivo passou a ser utilizado para qualificar pessoas com mais de trinta anos – a maioria do sexo feminino- como sinônimo de maturidade e sapiência.

Tem quem use para qualificar uma pessoa “ousada”, que “não respeita seus limites de idade” (tipo Suzanna Vieira distribuindo vitalidade). Mas é como dizem os linguistas: a língua é viva e mutável, se não houver semântica…

O fato é os anos passaram, os textos aumentaram, várias e várias mulheres trintaram e algumas coisas continuam as mesmas : Trinta anos e ainda não casou? Não teve filhos? Não concluiu um curso superior? Não tem carro nem casa?

Essa lista só aumenta…

Se você já tem mais de trinta anos e não completou a lista ou “teme” chegar a essa idade por medo de pressões, respira e não pira! Lembre-se sempre: nesses tempos pós modernos, o maior luxo que se tem é a saúde mental. E, aos trinta, ela também chega de vento em polpa.

kusses

Seja

08/12/2016 - Atualizado em: 09/12/2016, 17:57 Publicado por: Flalrreta Alves

O mês mais festivo do ano já começa com a expectativa pelo o que está por vir. A sociedade do imediato quer ficar antenada pela novidade e assunto do momento levando em consideração os extremos. O Fla x Flu do futebol atravessa o campo da política (mortadela x coxinhas), da religião (cristão conservador), estética capilar (cachos x chapinha), literatura (Harry Potter ou Senhor dos anéis?) deixando a mínima opção possível para interagir entre os dois.

Para essa primeira postagem, vou me ater à cobrança estética. (tem que rolar uma apresentação antes né?) Sou mãe, filha, esposa, estudante de pós graduação stricto sensu, amiga, consumidora de audiovisual e literatura. Mas isso não me protege quanto à cobrança externa de ser consumidora de coisas aleatórias.

Em conversas sobre os itens que adoro consumir, sempre um desabafo feminino em relação às mesmas cobranças. Resolvi então fazer um pequeno texto para essas mulheres lindas e de personalidade forte:

Adapte-se ao Menequitepás

Ela não sabe qual variação de batom nude utilizar para alinhar um lápis de olho com a base para o rosto. Aliás, a maioria das vezes, ela nem sabe usar batom e diante de tanta cobrança para “ser linda”, sente-se culpada por isso.

Moça, você é linda! Já leu esse poema hoje?

Se o cabelo não fica com aquele penteado do momento ou seus cachos por hoje não estão definidos, é sempre importante lembrar que a beleza deve ser intensa.

Ame, grite, chore e elogie. Você é linda!!

Seus dentes são separadinhos  só para lembrar que seu sorriso deve ser largo. Distribua-o por ai.

E se eles não estiverem da cor de neve, compartilhe as lembranças do bom café, chocolate e vinhos,  de preferência, em boas companhias. Definitivamente, não há beleza mais rara!

Suas unhas estão roídas pela ansiedade de ter assistido aquele filme ou pela ansiedade daquela resposta de final de ano?
Desde que você não seja modelo de mão, não motivo nenhum para se culpar por não ter um esmalte intacto realçando sua beleza.

salto

Imagem: Divulgação

Não se culpe se você não sabe usar salto ou não se sente à vontade usando vestido e/ou falando baixo.
Não se culpe por ter mais livros que sapatos.

Não se culpe se você gosta de elogiar as pessoas e isso é mal interpretado.

Não se culpe por ser intensa, se apaixonar e levar um pé na bunda, reprovar naquele exame em que a maioria consegue passar “de primeira”…

 

 

 

Acredite, até no universo paralelo as pessoas são únicas.

Se você quiser, quando for para acontecer, todo o universo vai conspirar a favor. Até lá, VIVA como se sentir melhor. Tente ser uma pessoa melhor. Compartilhar amor, carinho e lealdade.

O mundo já está cheio de gente compartilhando “ódio” e mostrando “como se faz”. Seja diferente!

Procure ajudar a fazer a fazer. Chegue juntos. Coloque luvas de pelica. Revolucione!

Dentro de cada uma existe sentimentos bons que só você pode oferecer. E se der vontade de mudar, mude!

Mudar é ótimo para ser diferente. E nessa vida, só a morte é irreparável!!

Feliz dezembro!

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